Tese do PPGAS sobre burnout em empresas de tecnologia vence prêmio da VI RAS
A tese de doutorado da antropóloga Virgínia Squizani Rodrigues vence o III Prêmio Tabita Bentes dos Santos na VI Reunião de Antropologia da Saúde, em Porto Alegre. Com o título “Boom and burst”: Como os trabalhadores de startups brasileiras vivenciam os efeitos do capitalismo tardio em seus próprios corpos”, a pesquisa foi realizada no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da UFSC e cotutela com o Programa de Sciences Sociales – Sociologia da Paris 1 Panthéon-Sorbonne. Virgínia Rodrigues foi orientada pelos professores Viviane Vedana (PPGAS/UFSC e INCT Brasil Plural) e Marc Loriol (Paris 1) e coorientada pela professora Letícia Cesarino (PPGAS/UFSC).
A pesquisadora questiona e analisa porque trabalhadores de startups, que dizem amar seu trabalho, também sofrem de burnout. Fundamentada em cinco anos de trabalho etnográfico junto ao setor de startups de Florianópolis, a tese argumenta que o burnout não deve ser reduzido a uma condição individual ou clínica, já que se trata de um fenômeno processual, socialmente situado. Além disso, investiga como os imperativos econômicos do crescimento rápido – impulsionados pelo capital de risco – interagem com as culturas organizacionais das startups e as experiências subjetivas dos trabalhadores.
A pesquisa contribui para debates mais amplos na sociologia e antropologia do trabalho, bem como nas áreas de saúde e saúde mental, mostrando como o burnout funciona tanto como uma experiência vivida quanto como uma lente por meio da qual os trabalhadores interpretam e verbalizam as contradições do capitalismo contemporâneo.
A tese pode ser acessada no repositório da UFSC.

Uirá apresentou então três aspectos que norteariam a apresentação. “O primeiro é a minha experiência na etnologia indígena amazônica e, mais recentemente, num debate sobre ecologias, formas indígenas de conservação e temas como etnografias multiespécies”. O segundo elemento destacado foi a parceria do grupo indígena com o qual realiza pesquisas no Maranhão. “A minha parceria de pesquisa com o Awá-Guajá. Uma parceria técnica e política, digamos assim, pensando em instrumentos de proteção do território, cursos de formação etc”. E um terceiro elemento da apresentação também incluiu a reflexão da própria trajetória dentro do campo acadêmico na Antropologia. “Uma reflexão de como eu, um acadêmico negro, me movo em um campo de estudo cuja ausência de pesquisadores negros e negras é bastante conhecido, que é a etnologia indígena”.


