Etnografia na Antropologia e Apuração no Jornalismo: Tempos, Métodos e Experiências de Interpretação do Espaço Urbano

12/01/2023 10:02

A publicação “Etnografia na Antropologia e Apuração no Jornalismo: Tempos, Métodos e Experiências de Interpretação do Espaço Urbano” é o resultado do minicurso de mesmo nome oferecido pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da UFSC em novembro de 2022 pela professora Viviane Vedana, pela pós-doutoranda Míriam Santini de Abreu e pela doutoranda Priscila Oliveira dos Anjos. O minicurso teve dois momentos: aulas teóricas e saída de campo na Avenida Hercílio Luz, no Centro de Florianópolis. Na sequência, cinco participantes toparam a proposta de escrever sobre a experiência e as reflexões dela decorrentes, compondo os quatro textos da publicação.

O ensaio de Celina Limeira Centena e Manu Rocha de Matos analisa a educação da atenção do antropólogo inserido em contextos urbanos, apontando a importância da caminhada à deriva como instrumento de pesquisa exploratória para todos aqueles que buscam construir conhecimento experimentando e praticando a cidade. Já Elizabeth Calderón aborda questões históricas relacionadas às mudanças na Avenida Hercílio Luz. O artigo de Guilherme Vasconcellos Leonel indica caminhos para uma etnografia da espera entre os indivíduos em situação de rua na avenida, e Warley Alvarenga apresenta um roteiro fotográfico de momentos e personagens que despertaram atenção na saída de campo. São quatro belos exemplos de como a relação entre disciplinas enriquece a reflexão sobre o cotidiano e a pesquisa acadêmica.

Acesse os textos em Etnografia-Jornalismo.

Arte, Cosmologia e Filosofia nas Terras Baixas da América do Sul e outras prosas – Prof. Dr. Rafael Bastos

12/01/2023 09:45

Conversa com o antropólogo Rafael José de Menezes Bastos sobre suas pesquisas atuais:

1. Arte, Cosmologia e Filosofia nas Terras Baixas da América do Sul Objetivo: Conhecer, etnográfica e comparativamente, os sistemas artístico-estéticos (música, dança, grafismo, iconografia, mito, drama, rito e outros), as cosmologias e o filosofar na região, visando a compreensão da socialidade dos grupos indígenas respectivos.

2. Música, Cultura e Sociedade no Brasil Objetivo: Conhecer etnográfica e comparativamente as diversas tradições musicais brasileiras, procurando articula-las com os demais domínios sócio-culturais.

3. Arte, Cultura e Sociedade na América Latina e Caribe Objetivo: conhecer etnográfica e comparativamente as artes (música, poesia, drama, iconografia, rito, mito, dança e outras) das sociedades nacionais da região, buscando suas conexões com os demais sistemas sócio-culturais respectivos.

4. Antropologia das Populações Açoriano-Brasileiras Objetivo: Conhecer etnográfica e comparativamente as populações de origem açoriano-brasileira no País, com ênfase naquelas de Santa Catarina e buscando compara-las com as sociedades matrizes portuguesas e açorianas.

No link abaixo, transmissão pelo youtube, às 19h do dia 10 de fevereiro de 2023.

NOTA PPGAS/UFSC SOBRE AS BOLSAS CAPES

08/12/2022 07:38

O Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da UFSC manifesta sua indignação com a imposição, pelo Ministério da Economia, da obstrução dos recursos destinados à continuidade das atividades de pesquisa e de formação de pesquisadores, anunciada pela CAPES, em comunicado de 06/12/2022.

O Decreto n° 11.269, de 30 de novembro de 2022 evidencia o descaso pela ciência e educação brasileiras da atual gestão federal, e precisa ser revertido com urgência. Trata-se de uma medida que afeta diretamente a pós-graduação e que se soma às demais ações ocorridas nos últimos anos de desmonte da gestão do ensino público com cortes de recursos essenciais para a continuidade do bom funcionamento de instituições federais de ensino no país.

Entre os recursos obstruídos estão as bolsas de pós-graduação, o que afeta diretamente 22 estudantes de mestrado e 19 estudantes de doutorado do PPGAS, pessoas oriundas de diversas regiões do país, da América Latina e do continente Africano, com pesquisas de excelência acadêmica em andamento. Além disso, outros 03 estudantes de pós-doutorado também são afetadas por esta medida. Muitas das pessoas em formação são parte de uma trajetória de sucesso do PPGAS junto à UFSC, na realização de políticas de ação afirmativa para pessoas negras, indígenas ou em condições de vulnerabilidade social.

As bolsas de pós-graduação são importantes não apenas para a continuidade de seus estudos, mas também para a manutenção de condições dignas de trabalho em uma cidade com alto custo de vida, assim como para viabilizar seus deslocamentos e sua permanência em pesquisa de campo com os mais diferentes coletivos sociais que compõem seus universos de investigação.

O corte abrupto no pagamento das bolsas compromete anos de preparação e produção de conhecimento e de formação de profissionais qualificadas. Além disso, outras ações do Programa ficam prejudicadas, que se somam a uma trajetória de 37 anos de contribuição de professores e estudantes que passaram pelo PPGAS para tornar a UFSC uma das universidades mais reconhecidas nacional e internacionalmente por seu rigor acadêmico e protagonismo na promoção de ciência e educação comprometidas com a democracia e a justiça social.

Somamos nossos esforços incisivos às manifestações de outros programas de pós-graduação da UFSC, de outras universidades e instituições de ensino e pesquisa brasileiras, para que esses recursos sejam desobstruídos imediatamente e para que os pagamentos devidos de bolsas e demais compromissos assumidos pela atual gestão do Ministério da Educação sejam honrados.

 

 

Nota de repúdio aos ataques à aluna e liderança indígena Joziléia Daniza Jagso Schild Kaingang

25/11/2022 07:42

O Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de Santa Catarina (PPGAS/UFSC) repudia os ataques feitos a sua aluna do doutorado e reconhecida liderança indígena Joziléia Daniza Jagso Schild Kaingang, os quais questionam e colocam em dúvida seu pertencimento étnico, assim como a legitimidade de sua participação na COP27, no Egito, enquanto indígena.

Joziléia Schild Kaingang, mulher Indígena Kaigang, importante liderança política de seu povo, aluna do doutorado em Antropologia, apresenta uma longa e sólida trajetória em defesa da ancestralidade Kaingang, dos seus direitos territoriais e de acesso à saúde e educação, de um mundo de equidade e com respeito às diferenças e de justiça aos povos originários, sobretudo em seu protagonismo na articulação das mulheres Indígenas do Brasil. Joziléia é cofundadora e uma das coordenadoras da Articulação Nacional da Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (ANMIGA), assim como assessora projetos do Conselho de Missão entre Povos Indígenas (COMIN), vinculado à Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB).

Argumentos estereotipados, de caráter racistas e misóginos, têm sido recorrentemente usados para deslegitimar mulheres indígenas, justamente pela projeção que Joziléia, dentre tantas  outras mulheres, têm alcançado em sua larga e destacada luta pelos direitos dos povos indígenas.

O direito dos povos indígenas é garantido pela Constituição brasileira, assim como a luta pelo reconhecimento pleno desses direitos.  Repudiamos todo e qualquer ato que busque cercear esses direitos, assim como condenamos os recorrentes atos de violência contra os povos indígenas, suas identidades e seus territórios.

Expressamos nossa incondicional solidariedade à Joziléia Daniza Jagso Schild Kaingang, importante liderança indígena, e aluna extraordinária do PPGAS/UFSC.

 

Minicurso “Etnografia na Antropologia e Apuração no Jornalismo: Tempos, Métodos e Experiências de Interpretação do Espaço Urbano”

01/11/2022 10:52

O Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da UFSC oferece nos dias 17, 18 e 25 de novembro, das 9 horas às 12 horas, o minicurso “Etnografia na Antropologia e Apuração no Jornalismo: Tempos, Métodos e Experiências de Interpretação do Espaço Urbano”. O minicurso, presencial e com uma saída de campo no centro de Florianópolis, é direcionado a antropólogos, jornalistas, geógrafos, historiadores, arquitetos e estudantes de graduação e de pós-graduação nessas áreas. O objetivo é apresentar métodos e experiências de interpretação do espaço urbano na perspectiva da Antropologia Urbana e do Jornalismo. A coordenação é da professora e doutora em Antropologia Social Viviane Vedana, com participação da jornalista e doutora em Jornalismo, Míriam Santini de Abreu, e da jornalista e mestre e doutoranda em Antropologia Social, Priscila Oliveira dos Anjos. O curso será na Sala 110 do Departamento de Antropologia da UFSC (1º andar do Bloco D do CFH). A inscrição é gratuita e pelo link abaixo até o dia 10 de novembro.

Acesse: https://docs.google.com/forms/d/1twJCBAmihOvKh6ai6qB_7Bs8cZWpkj21HOejpYCSJXE/edit

Programa
1-A etnografia na Antropologia – professora e doutora em Antropologia Social Viviane Vedana (docente no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da UFSC)

2-A apuração no Jornalismo: jornalista e doutora em Jornalismo Míriam Santini de Abreu (http://lattes.cnpq.br/3973120550917998) e jornalista e mestre e doutoranda em Antropologia Social Priscila Oliveira dos Anjos (http://lattes.cnpq.br/1426370358944662)

3-Análise de trabalhos etnográficos e jornalísticos sobre a Avenida Hercílio Luz, no Centro de Florianópolis (SC)

4-Saída de campo (Avenida Hercílio Luz e entorno)

5-Avaliação de materiais produzidos na saída de campo

Certificado
Os inscritos que preencherem satisfatoriamente os quesitos frequência e aproveitamento terão direito a certificado pela UFSC

Referências bibliográficas:

ABREU, Míriam Santini de. A experiência urbana no jornalismo independente: entre conceitos e práticas. Cadernos Naui: Núcleo de Dinâmicas Urbanas e Patrimônio Cultural, Florianópolis, v. 11, n. 20, p. 30-49, janjun 2022. Semestral. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/235223/A%20experiencia%20urbana%20no%20jornalismo%20independente%20entre%20conceitos%20e%20pr%c3%a1ticas.pdf?sequence=1&isAllowed=y . Acesso em: 23/09/2022.

ANJOS, Priscila Oliveira dos. Próxima parada: Monte Serrat. O itinerário da recente história do Transporte Coletivo na comunidade mais populosa do Maciço do Morro da Cruz. Trabalho de conclusão de curso em Jornalismo. Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, 2017. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/164642/Site.pdf?sequence=1&isAllowed=y . Acesso em: 23/09/2022.

BALANÇO GERAL FLORIANÓPOLIS. Avenida Hercílio Luz resgata a história de Florianópolis. ND+. 11 Jul. 2019. Disponível em: https://ndmais.com.br/noticias/avenida-hercilio-luz-resgata-a-historia-de-florianopolis/. Acesso em: 23/09/2022.

CAMPOS, Rafael Alves de.; DONATO, Larissa. No caminho dos tigres: retrato de um rio e sua relevância como espaço público para a população negra de Florianópolis-SC. Conflitos e conquistas do passado e do presente. In: Jornadas Antropológicas do Programa de Pós-graduação em antropologia Social (PPGAS), Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, SC, 2019.

CULLETON, Billy. Um século da Avenida Hercílio Luz em imagens – Do Rio da Bulha à canalização e cobertura total. Portal Floripa Centro. 11 jul. 2019. Disponível em https://floripacentro.com.br/um-seculo-da-avenida-hercilio-luz-em-imagens-do-rio-da-bulha-a-canalizacao-e-cobertura-total/. Acesso em: 23/09/2022.

ECKERT, Cornelia e ROCHA, Ana Luiza Carvalho da. Etnografia de e na rua. estudo de antropologia urbana. In. ECKERT, Cornelia e ROCHA, Ana Luiza Carvalho da. Etnografia de rua: estudos de antropologia urbana. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2013. p. 21-46.

SCHMITZ, Paulo Clóvis. Avenida Hercílio Luz, o mundo peculiar do paredão. ND+. 31 mar. 2012. Disponível em: https://ndmais.com.br/noticias/avenida-hercilio-luz-o-mundo-peculiar-do-paredao/ Acesso em: 23/09/2022.

SCHMITZ, Paulo Clóvis. Ocupação da Hercílio Luz coloca moradores e frequentadores de bares em lados opostos. ND+. 24 fev. 2018. Disponível em: https://ndmais.com.br/noticias/ocupacao-da-hercilio-luz-coloca-moradores-e-frequentadores-de-bares-em-lados-opostos/ . Acesso em: 23/09/2022.

VEDANA, Viviane. Mercados de rua e ambiência de fruição estética: estudo de etnografia de rua. In. ECKERT, Cornelia e ROCHA, Ana Luiza Carvalho da. Etnografia de rua: estudos de antropologia urbana. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2013. p. 147-172.

Nota de Falecimento egressa Victória Regina dos Santos

24/10/2022 12:23

É com grande tristeza que o PPGAS informa o falecimento de sua aluna egressa de mestrado e pesquisadora associada do LEVIS, Victória Regina dos Santos, na noite de 22 de outubro de 2022, vítima de um câncer fulminante de pulmão. Victória era muito querida e estimada por colegas e professoras pois era uma grande articuladora entre pessoas e diferentes mundos. Sempre de bom humor, generosa e atenta a todos que a rodeavam, foi uma aluna ativa no curso e na ampliação de campos de atuação da antropologia, bem como no fortalecimento dos núcleos de pesquisa. Na fotografia, está com sua turma de mestrado do PPGAS.

Formada em Psicologia na UFSC e servidora concursada na Polícia Civil de Santa Catarina, foi uma das pioneiras no combate às violências de gênero em sua atuação na DEAM – Delegacia Especializada em Atendimento às Mulheres de Florianópolis. Também lecionou na ACADEPOL – Academia de Polícia. Sua dissertação: “Práticas policiais nas delegacias de proteção à mulher de Joinville e Florianópolis”, foi orientada pelo Prof. Theophilos Rifiotis e defendida em 2001, um trabalho pioneiro sobre o tema e que se mantém importante referência nesse campo de estudos. Por meio de sua atuação como psicóloga policial e antropóloga, contribuiu para a consolidação de boas práticas no atendimento a mulheres em situação de violência. Victória foi uma das primeiras estudantes negras do PPGAS e, como oriunda da comunidade do Morro da Caixa, articulou professoras e estudantes com a Escola de Samba Embaixada Copa Lord, na qual foi membro da diretoria. Deixa as filhas Paula e Beatriz, patinadoras medalhistas que muito contaram com o incentivo e apoio da mãe para chegarem ao pódio.

A família convida para a despedida no dia de hoje, 24/10/2022, no Cemitério Vaticano, em Forquilhas (R. Antônio Jovita Duarte, 9203 – Forquilhas, São José – SC, 88107-100), das 14h às 17h, horário em que ocorrerá a Cerimônia de Homenagem e pede que os participantes vistam roupa branca ou clara.

Nota de Apoio à Professora Maria Elisa Máximo

21/10/2022 08:03

O Programa de Pós-graduação da Universidade Federal de Santa Catarina (PPGAS/UFSC), vem a público manifestar seu irrestrito apoio à Profa. Dra. Maria Elisa Máximo, demitida do IELUSC-Joinville em razão de uma manifestação em suas redes sociais privadas, realizada fora do expediente de pedagógico, numa mensagem de caráter estritamente pessoal e sem qualquer vínculo com a instituição. A demissão da Profa. Máximo pelo IELUSC-Joinville configura um evidente cerceamento da liberdade de expressão e até mesmo uma perseguição política.

Queremos destacar que se trata de uma professora e pesquisadora reconhecida nacionalmente como especialista nos estudos sobre a internet, com larga trajetória de pesquisa e altamente engajada na formação de recursos humanos. Ela é pesquisadora ativa desde a fundação do GrupCiber (Grupo de Pesquisa em Cibercultura) do PPGAS/UFSC, um grupo pioneiro no Brasil, e seus trabalhos são referenciais para os estudos nesse campo.

Maria Elisa Máximo tem uma trajetória acadêmica fundamentalmente dedicada ao desenvolvimento do IELUSC-Joinville, ocupando cargos administrativos e ampliando as parcerias da instituição, além de ser uma professora altamente envolvida com o ensino, a pesquisa e a orientação de estudantes.

Consideramos assim que a demissão da Profa. Dra. Maria Elisa Máximo pelas razões alegadas pelo IELUSC-Joinville configura cerceamento da liberdade de expressão e tentativa de controle sobre docentes. Uma decisão estranha à missão pedagógica e formadora de uma instituição de ensino.

Nota de Repúdio à perseguição política e profissional sofrida pela professora Maria Elisa Máximo e sua família, em Joinville/SC